História do Cachorro dos mortos
Trecho do livro “História do Cachorro dos mortos”, de Leandro Gomes de Barros
Os nossos antepassados
Eram muito prevenidos
Diziam: matos têm olhos
e paredes tem ouvidos
os crimes são descobertos
por mais que sejam escondidos
Em oitocentos e seis
na província da Bahia
distante da capital
3 léguas ou menos seria
Sebastião de Oliveira
ali num canto vivia
Ele, a mulher e duas filhas
e um filho já homem feio
o rapaz era empregado
e estudava Direito
o velho não era rico
mas vivia satisfeito
As duas filhas eram moças
honestas e trabalhadoras
logravam na capital
o nome de encantadoras
chamavam atenção de todos
as grandes tranças tão louras
Êsse velho era ferreiro
e ferreiro habilitado
vivia do seu ofício
plantando e criando gado
por 3 vezes enjeitou o cargo de delegado
Havia um vizinho dele
Eliziário Amorim
êsse tinha um filho único da espécie de Caim
enquanto o espanhol velho
até não era ruim
O filho dêsse espanhol
uma fera carniceira
veio provocar namôro com as filhas de Oliveira
uma delas disse a ele:
de nós não há quem o queira
Ele disse: tu não sabes
que meu pai possui dinheiro
em terras de criações
é o maior fazendeiro?
ela disse: o meu é pobre
planta, cria e é ferreiro
- Minha mãe tece de ganho
nós vivemos de costura
meu pai vive da sua arte
e de sua agricultura
meu irmão é empregado
para que maior ventura?
O sedutor conhecendo
seus planos serem debaldes
e só podia vencê-la
por meio da falsidade
que é a arma mais própria
onde existe a maldade
(…)
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